O amigo falso

Por Pedro Paulo Rezende
Na véspera da visita oficial do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a Washington uma pergunta precisa ser respondida: os Estados Unidos são um parceiro tecnológico confiável? Nossa experiência mostra que não. Washington sempre procurou barrar os principais programas desenvolvidos na área espacial, aeronáutica e nuclear. Para o Departamento de Estado, o ideal é que o Brasil seja consumidor de tecnologias sensíveis, não produtor. Esta atitude causou incidentes graves entre diplomatas e militares dos dois países desde 1979, quando decidimos implantar a Missão Espacial Completa Brasileira (MEC-B) com o objetivo de colocar por meios próprios, o Veículo Lançador de Satélites (VLS), um artefato em órbita terrestre. (Leia mais aqui)

Vencer sem lutar: a estratégia americana na guerra contra a Venezuela

Por Arthur Nadú Rangel

Nos dias atuais, as guerras por procuração se tornaram um instrumento obsoleto, já que não existe mais um inimigo claro para os EUA; agora o inimigo é aquilo que não é americano, ou aquilo que vá contra os ideais de Mundo Livre americano. Lutar contra esses inimigos acabou por ser não mais em sua essência uma guerra de armas e máquinas. A marcha americana não poderia ser impedida por esta questão, de modo que as guerras por procuração foram substituídas pelas guerras culturais. Nos dias atuais não é necessário enviar soldados, em vez disso envia-se a cultura, a religião e sistema social da liberdade, por meio de pesquisadores, pastores e políticos, conquistando o alvo de dentro para fora. Nos dois objetos de análise estabelecidos, a Ucrânia e a Venezuela, podemos observar que não é foi necessário enviar uma missão militar de “liberdade”. Bastou dominar os pontos chaves, dominando o pensamento econômico com pensadores formados nos EUA, a política com líderes políticos formados na Universidade de Washington, a justiça com juízes e promotores apaixonados pela Common Law, com seus mestrados e doutorados pagos pelo governo americano nas escolas americanas. As bases do país seriam corroídas de dentro para fora, com o objetivo de alavancar o grupo político que implementaria os ideais americanos no sistema político e social. (Leia mais aqui)

Venezuela, os riscos de uma intervenção

Por Pedro Paulo Rezende

A Venezuela está sob ameaça de intervenção estrangeira para derrubar o presidente da República, Nicolás Maduro. O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, já deixou claro que uma invasão não foi descartada. Diante destes sinais, cabe analisar o aparato militar dos dois países e a experiência ocorrida em outros países. Washington já patrocinou mais de 50 ações militares ao longo dos últimos 100 anos, boa parte delas na América Latina. Depois do fim da Guerra Fria, com a dissolução da União Soviética, o Departamento de Estado norte-americano acentuou suas operações na África, Ásia e Europa. O quadro venezuelano é muito similar ao que resultou na derrubada do governo socialista de Salvador Allende no Chile. Produtos desaparecem das prateleiras durante meses, mas surgem milagrosamente quando o governo faz concessões aos oposicionistas e sempre podem ser encontrados no mercado negro. Uma invasão militar estrangeira poderia superar as forças armadas regulares bolivarianas, mas não se pode minimizar o risco da resistência popular. Ao contrário do Iraque, o terreno facilita a guerrilha urbana e no campo. Há boa cobertura e potencial humano e um núcleo duro do chavismo entraria na clandestinidade para resistir. Diante dos antecedentes, se houver uma intervenção militar, os resultados serão desastrosos para o povo venezuelano. Para os que apostam em uma melhoria imediata com a tomada do poder pela oposição, é preciso lembrar que há uma série de problemas estruturais gravíssimos causados pela excessiva dependência do petróleo que não se solucionaram. (Leia mais aqui)

BRICS no governo Bolsonaro: a ideologia e a materialidade

Por Pedro Paulo Rezende

O potencial do BRICS, bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, sempre foi reconhecido pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Maior em potencial econômico que a União Europeia, com um banco de financiamento próprio e com três potências nucleares, o agrupamento poderá servir como alicerce para a construção de um mundo multipolar, mas a chegada de Jair Bolsonaro pode nos afastar de uma associação que nos traria grandes benefícios, inclusive no combate ao crime transnacional, graças ao uso de uma constelação de 43 satélites de sensoriamento remoto. (Leia mais aqui)

A nave mãe

Por Pedro Paulo Rezende

O Brasil acumulará mais prejuízos com a decisão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de se afastar do Acordo de Paris, expressa pela desistência brasileira de sediar a  25ª Conferência Oficial das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (também conhecida como UNFCCC, sigla do original em inglês United Nations Framework Convention on Climate Change). Hoje, o país já sofre, US$ 1,8 bilhão de perdas anuais com os fenômenos atmosféricos.(Leia mais aqui)

Com Bolsonaro, a ideologia volta ao Itamaraty

Por Pedro Paulo Rezende

Para o pensamento conservador, a política externa brasileira foi criada por Luís Inácio Lula da Silva, sob orientação de Marco Aurélio Garcia, e tem influências comunistas. Durante o processo eleitoral, esta afirmação pode ser lida em várias páginas do Facebook e fóruns e quem costuma replicá-la, inclusive em páginas com viés de ódio, como meme tem certeza do que diz. No entanto, é um dos maiores exemplos de fake news, de que uma mentira, repetida milhares de vezes, ganha tons de verdade. O Ministério das Relações Exteriores segue uma linha contínua de atuação que começa há 44 anos, no governo de Ernesto Geisel, general de exército e terceiro chefe de Estado do regime militar de 1964. É uma prova evidente de que o preconceito e a desinformação andam juntos e são péssimos conselheiros.(Leia mais aqui)

Amigos de verdade: a Argentina precisa novas parcerias

Por Pedro Paulo Rezende

A decisão do Reino Unido de explorar petróleo no arquipélago das Falklands/Malvinas, uma área contestada com a Argentina, deveria servir de alerta para que o governo do presidente Mauricio Macri buscasse novas parcerias fora do eixo comandado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Hoje, Buenos Aires não tem qualquer capacidade de reagir aos atos unilaterais impostos pelo governo britânico, mas o governo e a diplomacia platina não buscam parcerias alternativas para sair de seu quadro de impotência completa. (Leia mais aqui)