Por PEDRO PAULO REZENDE
A opinião pública internacional estava pronta a aceitar qualquer resultado para as eleições presidenciais da Venezuela, desde que fosse a derrota do presidente Nicolás Maduro, proclamado vencedor pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) no dia 28 de julho. Hoje, uma reunião virtual, que será realizada entre o mandatário venezuelano e os presidentes do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva; da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Lópes Obrador, definirá as relações políticas futuras de Caracas com o resto do mundo. Eles irão cobrar a divulgação das atas emitidas pelas sessões eleitorais, entregues pelo CNE ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) para auditoria.
Os três países pedem apenas a divulgação das atas pelo CNE, que reconhecem como as únicas legítimas para definir o vencedor da disputa. A presidente da corte, Caryslia Rodrígues, já afirmou que sua decisão será definitiva e inapelável, mas o procedimento contraria uma série de dispositivos estabelecidos pelo CNE. O que estava previsto era a divulgação das atas eleitorais em um prazo de até 30 dias após o pleito. Normalmente, os resultados e a documentação comprobatória são divulgados em até 72 horas após o pleito.
A posição brasileira é de que os únicos documentos válidos na Venezuela são as atas eleitorais emitidas pelo CNE. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, já manifestaram este ponto. Para nossa diplomacia, o importante é demonstrar o máximo de neutralidade para que possamos intermediar uma solução entre as partes caso a situação se agrave. Isto contraria o desejo da maioria da mídia nacional que considera Nicolás Maduro um ditador sanguinário e gostaria de vê-lo fora do poder.(leia mais aqui)

