Verdades e mentiras

Por Pedro Paulo Rezende

O míssil 9M79-1 Tochka-U é um velho conhecido da população de Donbass. É uma das ferramentas preferidas das Forças Armadas da Ucrânia para bombardear a população de Donetsk e Lugansk desde 2014, quando as duas repúblicas se levantaram contra o golpe de Estado que derrubou o presidente Viktor Yanukovich no que se convencionou chamar de Revolução de Maidan. As Forças Armadas da Federação Russa substituíram o equipamento pelo Iskander, muito mais eficiente e moderno. A última unidade saiu de serviço na Rússia em 2019, mas as unidades ucranianas ainda operam o equipamento, desenvolvido pela União Soviética.

As Forças Armadas da Ucrânia país possuíam 90 lançadores e cerca de 900 mísseis 9M79-1 antes de 24 de fevereiro, data de início da operação especial de desmilitarização da Ucrânia. Mais de 20 foram interceptados pelas unidades antiaéreas da Rússia no teatro de combate, todos apontados para alvos civis. No dia 14 de março, um ultrapassou as defesas aéreas das repúblicas de Donbass e atingiu o centro da cidade de Donetsk, deixando cerca de 50 mortos e feridos. Estima-se que hoje ainda existam 20 lançadores de disponíveis

No dia 8 de abril, um Tochka-U atingiu a estação ferroviária de Kramatorsk, cidade ainda sob o controle da Ucrânia, onde mais de 1.000 pessoas se aglomeravam na tentativa de fugir dos combates. Na cauda, trazia um grafite irônico: “Para as crianças”. A ogiva abriga trinta bombas de dispersão, de grande efeito destrutivo e desenvolvida para destruir grandes formações de blindados. O efeito foi devastador: mais de 50 civis mortos, incluindo crianças.

Tiro no pé

O gabinete do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, em uma jogada de propaganda, anunciou que as Forças da Federação Russa atingiram a cidade com um Iskander. A farsa durou poucas horas. Andriy Andriyenko, um repórter da agência Associated Press, fotografou o número de série do míssil: Sh91579.De acordo com a documentação legal firmada entre os dois países durante a dissolução da União Soviética, o equipamento foi destinado às Forças Armadas da Ucrânia. Dias depois, uma minuciosa investigação da rede britânica BBC confirmou o fato. Em 2 de fevereiro de 2015, um projétil do mesmo lote, de número Sh91565, foi derrubado antes de atingir Donbass.

O objetivo do ataque ucraniano contra seu próprio povo tem várias explicações. As unidades ucranianas usam a população civil como escudo para dificultar as ações das unidades da Federação Russa, a exemplo do que ocorreu em Mariupol. Além disto, as autoridades de Kiev ainda não esqueceram que a cidade, em 2013, foi um foco de resistência contra o golpe de Estado promovido com apoio do ocidente contra o presidente Viktor Yanukovich, no que se convencionou chamar de Revolução de Maidan.

Na época, coube à subsecretária do Departamento de Estado norte-americano Victoria Nuland negociar o apoio dos Estados Unido ao Right Sector, movimento de extrema-direita e tendências neonazistas, durante os acontecimentos da Praça de Maidan. Comprometida com a ação, atropelou as negociações em curso, patrocinadas pela União Europeia, entre a oposição e o governo ucraniano. Questionada sobre o tema em um telefonema foi sucinta:

— F*da-se a Europa!

Como resultado, os neonazistas passaram a ditar as cartas nos bastidores, mantendo os governantes sob vigilância e com ameaças de chantagem. Logo depois do golpe de Estado, Nuland firmou com o novo presidente eleito, Petro Poroshenko, um protocolo de intenções para financiar pesquisas científicas no país. O documento não foi objeto de sigilo e constava da página da Embaixada dos Estados Unidos em Kyiv. Com base neste acordo, 26 institutos de pesquisas biológicas ucranianas receberam patógenos extremamente perigosos, inclusive antraz, e espécimes capazes de transmiti-los, como morcegos e ratos. Um dos objetos de estudo era o da sensibilidade de indivíduos eslavos a determinados organismos unicelulares, o que não deixa dúvidas sobre a intenção dos trabalhos.

Guerra química

A Operação Especial da Federação Russa na Ucrânia levantou provas sólidas do envolvimento de Hunter Biden, filho do presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, no financiamento dos 26 laboratórios de pesquisa de guerra biológica ucranianos. Era a prova definitiva para mostrar que as ações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) visavam atingir a Federação Russa com armas de destruição em massa em um eventual conflito. A documentação obtida pelas forças russas de desmilitarização que atuam contra o regime de Kiev, comandado por Volodimir Zelensky, mostram o esquema montado pelo Departamento de Estado norte-americano para bancar a operação.

A existência do acordo entre os Estados Unidos e a Ucrânia foi confirmada na rede de TV a cabo CNN pela vice-secretária de Estado norte-americana Victoria Nuland. O Pentágono se apressou em desmentir a alta funcionária, mas logo depois reportagens em jornais europeus e estadunidenses mostraram a preocupação dos diplomatas ocidentais com a possibilidade das amostras de micro-organismos caírem nas mãos dos militares russos. Ou seja, por ironia do destino, o desmentido foi desmentido logo em seguida.

Com a eclosão da Operação Especial, o protocolo e o acompanhamento dos desembolsos financeiros aos 26 centros de estudos, publicados mensalmente na página da Embaixada americana junto à Ucrânia, foram apagados, mas a jornalista Dilyana Gaytandzhieva tinha imprimido e divulgado todos os contratos em sua página e pelo Twitter. Como resultado, o ministro da Saúde da Ucrânia, Viktor Liashko, determinou que todos os patógenos, antígenos e vetores de transmissão fossem destruídos para evitar captura pelas forças da Federação Russa.

Guerra na mídia

Até o momento, os objetivos principais da Operação Especial foram cumpridos. A Ucrânia perdeu 90 por cento de sua capacidade militar e as unidades da Guarda Nacional ligadas ao neonazismo foram praticamente eliminadas, mas a Rússia, por enquanto, está em desvantagem no front midiático. Os países do Ocidente possuem o controle virtual do setor. As agências noticiosas e redes de TV seguem as orientações de seus governos.

Além disto, os barões das mídias sociais — Mark Zuckenberg, Larry Page, Sergey Brin e Jack Dorsey — decretaram um bloqueio contra informações divulgadas pelos meios de comunicação sediados na Federação Russa e transformaram a esfera virtual em um quase monopólio da propaganda pró-ucraniana. Estes quatro homens controlam a Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp); a Alphabet (Google e YouTube) e o Twitter. A censura é evidente e canais que tentam apresentar o ponto de vista russo são apagados sumariamente sem qualquer disfarce. Como alternativa, usuários da Rede Mundial de computadores buscam se informar em meios alternativos, principalmente o Telegram e o Odisee.

Genocídio

Zuckenberg ultrapassou todos os limites ao divulgar publicamente que levantara as barreiras contra o discurso de ódio desde que dirigidos contra os russos. Desta maneira, sites neonazistas deixaram de ser controlados. Ao contrário das Forças da Federação Russa, que divulgam apenas material produzido por jornalistas profissionais, a Ucrânia permite que seus militares usem imagens de celulares durante os combates. O resultado é a produção em massa de provas de crimes de guerra. Em um vídeo, cerca de 10 soldados russos, com as mãos atadas nas costas, recebem um tiro na perna assim que saem de um micro-ônibus. Em outra cena, cinco paraquedistas feridos foram atingidos com cortes na garganta para morrerem lentamente.

Com o apoio da grande imprensa e o controle das mídias sociais, a Ucrânia vende o discurso, falso, de que está ganhando o conflito, mas nada está mais longe da verdade. No momento, todas as suas forças militares estão sob cerco em Karkhiv. Em Mariupol, as unidades da Federação Russa empurraram os militantes do Azov para o distrito industrial da cidade, que já apresenta mais de 90% da área liberada. Uma linha ofensiva começa a se projetar em direção a Odessa e alvos militares próximos à fronteira com a Polônia começaram a ser eliminados. A única coisa que impede a queda destas cidades é o desejo da Federação Russa de evitar a morte de civis (Leia mais aqui).

Até o momento, apenas 80 mil homens e mulheres da Federação Russa estão envolvidos na operação especial. A este total, somam-se 35 mil efetivos das repúblicas de Donetsk e Lugansk. No total, a Rússia possui 900 mil soldados e oficiais, 540 mil dos quais profissionais. A Ucrânia controlava, antes do início do conflito, 290 mil homens e mulheres, 90 mil dos quais alinhados nas fronteiras de Donbass.

Limpeza étnica evitada

A operação especial está centrada na eliminação de estruturas militares. Como resultado colateral, obteve provas substanciais que as unidades ucranianas preparavam uma operação de limpeza étnica em Donetsk e Lugansk. Planos de invasão foram capturados comprovando que se planejava uma operação de vulto para eliminar as repúblicas separatistas. Foi apenas mais um fato para provar que a hora de negociar pacificamente ficou para trás.

Se a Ucrânia queria evitar a guerra o problema poderia ser superado em 2014, quando eclodiu a guerra civil. Bastava cumprir o Protocolo de Minsk, que determinava a separação por forças de paz dos beligerantes e um regime especial para a região de Donbass, e a neutralização do país, que abriria a mão de participar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Não havia qualquer obstáculo à integração com a União Europeia.

É preciso lembrar que os episódios em Maidan só ocorreram depois que o bloco europeu rejeitou um pedido do presidente Viktor Yanukovich de uma ajuda no valor de US$ 100 milhões. O Kremlin, na mesma hora, ofereceu US$ 300 milhões, mais que suficiente para dar partida a um novo processo de desenvolvimento da Ucrânia, que hoje produz menos da metade do que produzia na era soviética e ostenta um desemprego recorde de 20%.

Foi a Europa quem rejeitou a Ucrânia e agora, de maneira hipócrita, tenta prolongar seu sofrimento com o envio de quantidades insuficientes de armas e de mercenários. Zelensky convocou uma internacional neonazista para lutar contra as unidades russas, mas bastou a destruição de dois centros de triagem e treinamento de voluntários estrangeiros para que houvesse uma debandada geral. Um dos “voluntários”, de origem britânica, reclamou que seu passaporte fora destruído antes de lhe encaminharem para Kiev com um fuzil praticamente sem munição, com apenas 10 projéteis. Ele conseguiu escapar pela fronteira com a Polônia.

Racismo na veia

A imprensa ocidental ainda vende a ilusão de que o regime de Volodimir Zelensky é democrático, mesmo depois de ele colocar na ilegalidade todos os partidos de oposição. Na última semana, os militantes neonazistas saíram à caça em diversas cidades sob o controle do regime de Kiev. Bandos passaram a hostilizar ciganos e russos étnicos, acusados de serem espiões a favor de Moscou. Como não têm escrúpulos, as gangues divulgaram as ações em vídeos pela internet. Um deles mostra uma senhora e suas filhas agredidas com um pênis de borracha. Outros expõem pessoas com o rosto pintado de verde amarradas com fita adesiva em postes e árvores. Em várias, crianças pequenas estão imobilizadas junto do pai ou da mãe.

A Ucrânia, no momento, está sob os efeitos de uma frente fria com temperaturas de até 17° negativos. Deixar pessoas ao relento, principalmente crianças, é uma sentença de morte. Enquanto isto, alguns integrantes do Azov tentaram fugir das Forças da Federação Russa que cercam Mariupol usando disfarces femininos, uma prova de que a valentia diminui quando enfrentam soldados de verdade em lugar de assediar civis indefesos.

Para culminar, as Forças Armadas das repúblicas de Donetsk e Lugansk e da Federação Russa descobriram corpos de escravos sexuais do Azov. Ou seja, não há limites para os neonazistas.

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