O império se desintegra

Os dois lados do Estreito de Formosa também compartilham boa parte das reivindicações territoriais, com a denúncia de todos os tratados injustos impostos pelas potências ocidentais e o Japão.

Em 1900, o Império da China, governado pela dinastia Qing desde 1644, perdera grande parte de seus territórios. O Reino Unido moveu uma guerra contra a China que ficou conhecida como a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842). O mesmo Reino Unido mais a França e os Estados Unidos promoveram a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860). Derrotada nos dois conflitos, a Dinastia Qing, que governava o país desde 1644, foi obrigada a assinar termos de rendição altamente desfavoráveis em termos comerciais, com a entrega de concessões às potências ocidentais, incluindo o território onde os britânicos construíram a cidade de Hong Kong.

A corrupção da corte imperial serviu como caldo de cultura para a Rebelião Taiping, que levou o país ao caos e causou cerca de 20 milhões de mortes. Em 1851, Hong Xiuquan, um místico que acreditava ser o irmão mais jovem de Jesus Cristo, levantou os camponeses da província de Guangxi. O movimento se estendeu rapidamente pela região do rio Yangtze (Amarelo). Os rebeldes tomaram Nanjing, que instituíram como sua capital, e desfecharam um ataque malsucedido a Beijing.

As tropas imperiais foram auxiliadas por militares britânicos e norte-americanos e esmagaram a revolta em 1864 depois da morte, por doença, de Xiuquan, mas a revolta destruíra completamente o interior do país. A destruição das colheitas determinou um dos vários períodos de fome endêmica. O país entrou em decadência econômica e a dinastia Qing jamais se restabeleceu da guerra civil.

Acreditando na superioridade dos valores chineses, a corte imperial recusava modernizar o país, o que determinou a completa impotência de suas forças armadas, equipadas e treinadas com os padrões do século 17. A Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) também foi perdida de forma desastrosa pela China. Os nipônicos receberam a península da Coreia, Taiwan e as ilhas Diaoyu/Senkaku.

Diante de tantas humilhações, a população se levantou contra os estrangeiros em 1899. Durante a Revolta dos Boxers, a maioria das concessões foi invadida. Missões religiosas cristãs foram atacadas e a reação ocidental não tardou. Foi formada a Aliança das Oito Nações que contava com forças militares da Áustria-Hungria, França, Império Alemão, Reino de Itália, Japão, Império Russo, Reino Unido e Estados Unidos. As tropas estrangeiras ocuparam a capital e milhares de cidadãos morreram durante a campanha. Ao final das hostilidades, o governo imperial foi forçado a assinar o desigual Protocolo Boxer de 1901. O levante fez com que aumentasse a interferência estrangeira na China, com a consequente diminuição da autoridade da dinastia Qing.

Em 1908, Puyi, uma criança de dois anos, assumiu o trono como 11º imperador da dinastia Qing. O reinado durou pouco tempo. Ele foi forçado a abdicar após a vitória da Revolução dirigida por Sun Yat-sen e a República da China foi criada em 12 de fevereiro de 1912. Neste período, os japoneses conquistaram a província da Manchúria. Com o apoio dos britânicos, o Tibete, que integrava o império desde o século 18, se declara independente.

Nas salas de aula taiwanesas, os mapas do país incluem áreas que se tornaram independentes, como a República da Mongólia, ou que pertencem à Índia, ao Vietnã e à Tailândia (veja imagem em destaque). Perto delas, as demandas de Beijing são humildes, resumindo-se ao arquipélago Diaoyu/Senkaku, que os Estados Unidos mantiveram em posse do Japão ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e recifes disputados com as Filipinas e Malásia.(PPR)

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