Venezuela, os riscos de uma intervenção

Por Pedro Paulo Rezende

A Venezuela está sob ameaça de intervenção estrangeira para derrubar o presidente da República, Nicolás Maduro. O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, já deixou claro que uma invasão não foi descartada. Diante destes sinais, cabe analisar o aparato militar dos dois países e a experiência ocorrida em outros países. Washington já patrocinou mais de 50 ações militares ao longo dos últimos 100 anos, boa parte delas na América Latina. Depois do fim da Guerra Fria, com a dissolução da União Soviética, o Departamento de Estado norte-americano acentuou suas operações na África, Ásia e Europa. O quadro venezuelano é muito similar ao que resultou na derrubada do governo socialista de Salvador Allende no Chile. Produtos desaparecem das prateleiras durante meses, mas surgem milagrosamente quando o governo faz concessões aos oposicionistas e sempre podem ser encontrados no mercado negro. Uma invasão militar estrangeira poderia superar as forças armadas regulares bolivarianas, mas não se pode minimizar o risco da resistência popular. Ao contrário do Iraque, o terreno facilita a guerrilha urbana e no campo. Há boa cobertura e potencial humano e um núcleo duro do chavismo entraria na clandestinidade para resistir. Diante dos antecedentes, se houver uma intervenção militar, os resultados serão desastrosos para o povo venezuelano. Para os que apostam em uma melhoria imediata com a tomada do poder pela oposição, é preciso lembrar que há uma série de problemas estruturais gravíssimos causados pela excessiva dependência do petróleo que não se solucionaram. (Leia mais aqui)

Um retrato da intervenção russa na Síria

Por Pedro Paulo Rezende

Uma análise da intervenção russa, aprovada pelo Parlamento, na Guerra Civil da Síria. Quando o processo teve início, em 1º de outubro de 2015, o regime sírio de Bashar Al Assad, de caráter laico, controlava pouco mais de 25% do território do país. O Estado Islâmico da Síria e do Levante dominava cerca de 30% e o restante estava dividido entre 12 grupos do que o Ocidente batizou de “oposição democrática”, formado, em sua enorme maioria, por facções religiosas sunitas bancadas financeiramente pelas monarquias absolutistas do Golfo Pérsico e apoiados por uma coalizão chefiada pelos Estados Unidos. Hoje, 29 meses depois, os últimos focos de resistência nas proximidades de Damasco, a capital, foram eliminados no dia 21 de maio. Graças a acordos entre governo e opositores, os rebeldes são transportados por ônibus para uma faixa de 20% do território mantida, junto às fronteiras iraquiana e turca, graças ao suporte militar de Washington. (Leia mais aqui)