O verdadeiro Buraco de Cachimbo não recebeu a pá de cal de Fernando Collor. Usaram um poço artesiano para a cerimônia. O culpado pela obra foi um político influente: Antônio Carlos Magalhães — o ACM, ex-senador e ex-governador da Bahia. A CNEN, em 1974, iniciou um estudo aprofundado de viabilidade técnica para construir um depósito de rejeitos nucleares para atender a demanda do Acordo Brasil-Alemanha. Depois de 11 anos, as análises de solo indicaram a região baiana do Raso da Catarina que abrange municípios como Paulo Afonso, Canudos, Jeremoabo e Glória.
Conhecido como o Atacama brasileiro, possui vastos tabuleiros de arenito avermelhado, solos rasos e cânions secos esculpidos pelo vento e um regime de chuvas previsível. ACM ficou furioso e disse que jamais permitiria lixo nuclear em território baiano. O Ministério da Aeronáutica decidiu analisar o subsolo da Base Aérea de Cachimbo. O poço de sondagem mostrou que o local era seguro em termos de tamanho e pouco povoado, mas havia risco de contaminação do lençol freático, e a ideia foi descartada.
O resultado é que, até hoje, o Brasil não possui um depósito seguro para lixo nuclear e usa uma área temporária entre as duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, para guardar o rejeito atômico.(PPR)
