Venezuela, os riscos de uma intervenção

Por Pedro Paulo Rezende

A Venezuela está sob ameaça de intervenção estrangeira para derrubar o presidente da República, Nicolás Maduro. O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, já deixou claro que uma invasão não foi descartada. Diante destes sinais, cabe analisar o aparato militar dos dois países e a experiência ocorrida em outros países. Washington já patrocinou mais de 50 ações militares ao longo dos últimos 100 anos, boa parte delas na América Latina. Depois do fim da Guerra Fria, com a dissolução da União Soviética, o Departamento de Estado norte-americano acentuou suas operações na África, Ásia e Europa. O quadro venezuelano é muito similar ao que resultou na derrubada do governo socialista de Salvador Allende no Chile. Produtos desaparecem das prateleiras durante meses, mas surgem milagrosamente quando o governo faz concessões aos oposicionistas e sempre podem ser encontrados no mercado negro. Uma invasão militar estrangeira poderia superar as forças armadas regulares bolivarianas, mas não se pode minimizar o risco da resistência popular. Ao contrário do Iraque, o terreno facilita a guerrilha urbana e no campo. Há boa cobertura e potencial humano e um núcleo duro do chavismo entraria na clandestinidade para resistir. Diante dos antecedentes, se houver uma intervenção militar, os resultados serão desastrosos para o povo venezuelano. Para os que apostam em uma melhoria imediata com a tomada do poder pela oposição, é preciso lembrar que há uma série de problemas estruturais gravíssimos causados pela excessiva dependência do petróleo que não se solucionaram. (Leia mais aqui)