DOSSIÊ SU-57: O CAÇA JÁ É UMA REALIDADE – Atualização do artigo – 2021

Por Arthur Nadu Rangel

Sempre que formos estudar um avião, devemos antes de qualquer outra coisa saber o seu propósito; aviões não são todos iguais e são construídos de acordo com uma missão específica, seja a de bombardeiro, de ataque, interceptação, superioridade aérea, etc. Neste sentido, quando analisamos equipamentos não vindos do extremo-ocidente (EUA), temos a tendência de nos perder em comparações que não fazem sentido, desconsiderando que existem filosofias de geopolítica e geoestratégia diferentes. Os problemas de geoestratégia dos EUA não são os mesmos da Europa e são também totalmente diferentes dos problemas russos.

Devemos considerar que todos os projetos militares da Rússia são baseados na Teoria do Heartland de Mackinder (vale um hipertexto separado), e, sendo assim, não faz o menor sentido para um país que tem fácil acesso ao Oceano Atlântico, Pacífico, Mar Negro, entre outros, considerar a projeção naval a distância uma necessidade. A Teoria do Heartland coloca a Rússia no centro do poder geoestratégico de sua ação militar, assim todas as suas ações devem ser pensadas baseado na projeção de poder advinda de sua grande extensão territorial. É necessário presença constante em todo o país, em condições que variam de desertos até planícies geladas com temperaturas que facilmente chegam a -50º. São tantas variedades de operação que equipamentos americanos comuns não seriam capazes de operar de forma única em todo o território, entretanto os equipamentos russos são.

Neste todo, devemos considerar que no mundo existem poucas potências ofensivas, países que, em sua estratégia geopolítica, tem como foco a ofensividade multifacetada, de modo que as suas ações ofensivas devem ser encaradas como forma de manter a sua dominação. Temos como exemplo o caso mais óbvio, o dos EUA, com suas famosas missões de “liberdade de trânsito e comércio”, onde o país, que possui um mapa único, que apenas eles consideram como base das fronteiras internacionais, invadem a soberania de outros países sob o pretexto da liberdade mundial, que pode ser garantida apenas pela constante ofensividade dos EUA.

Não vemos ações desse tipo por parte de países como a China, Índia ou mesmo Rússia. Neste sentido, os países que compõem os BRICs têm por característica a de serem potências defensivas, que buscam, em meio a tantas ameaças descentralizadas, manter a soberania interna e externa por meio dos meios assimétricos e das guerras culturais. Não é necessária uma presença ofensiva em todo o mundo, mas devem existir meios de defesa plenos, capazes de manter a soberania frente às ameaças das potências ofensivas. Neste universo de operação surgem sistemas de defesa como o S-400, submarinos balísticos em estado da arte, corvetas e fragatas com capacidades defensivas excepcionais e grande capacidade de resistência, tudo com um único objetivo: garantir a soberania em seus interesses.

 Não é necessário atacar, mas ter maneiras de se defender e manter-se firme frente a um ataque de alto nível. Tal diferenciação estratégica define como todo equipamento deve ser e, nesse caso, é demonstrado que os equipamentos não devem compor o melhor sistema ofensivo, mas sim um sistema capaz de sobrepujar um ataque ofensivo de uma potência estrangeira.

Os requisitos para o Su-57

Consideremos, então, a estratégia de defesa da Rússia, como uma estratégia focada na manutenção de sua soberania em um território de dimensões únicas no mundo. Quando o projeto PAK-FA foi elaborado, foi considerada a necessidade de um avião que fosse capaz de defender o território dos ataques de meios furtivos, assim rompendo as defesas da linha de ataque e derrubando os vetores que possibilitariam a plena operação dos aviões furtivos (sistemas de guerra eletrônica, AWACS e aviões tanques), tornando a operação de caças, como F-22 e o F-35, extremamente limitadas e reduzidas.

Era necessário que fosse um avião com uma assinatura de radar frontal extremamente reduzida (RCS), para que pudesse penetrar na linha de ataque de forma furtiva. Também era um requisito que tivesse capacidade de detectar ameaças furtivas a longas distâncias, para que estas pudessem ser interceptadas antes que alcançassem os seus alvos. Outra característica necessária era uma excepcional capacidade de carga, para que os aviões pudessem atacar, em uma única missão, a maior quantidade de alvos de grande valor. Porém, considerando as necessidades da estratégia de operação russa, o avião deveria também ter a capacidade de operação em missões secundárias, como missões ofensivas, de soberania aérea e bombardeio furtivo.

Dentre todos esses requisitos, o avião também teria de manter toda a filosofia de operação que caracteriza os equipamentos russos: baixa complexidade de operação, ferramental de manutenção intercambiável, baixa necessidade de proteção contra as intempéries do clima, longo raio de alcance, super-manobrabilidade e custo de operação condizente com as capacidades russas e do ministério da defesa. Eles necessitavam de um avião que pudesse ser operado em qualquer lugar do país, sem que cada hora voo secasse o orçamento, como o observado nos países que, erroneamente, decidiram operar o F-35 com seu descomunal custo de hora voo.

Assim, o principal requerimento para o Su-57 é a defesa do espaço aéreo russo, não a intervenção na soberania de outros países, como nos casos do F-22 e do F-35. No caso dos aviões americanos, estes devem se aproximar do alvo inimigo com total furtividade, por isso possuem poucos sensores que emitem ondas de radar e grande furtividade na proa e na popa. No caso do Su-57, o caça deve penetrar a linha de ataque e eliminar os alvos que dão suporte aos meios ofensivos e tornar a sua operação impossível frente ao território russo, permitindo que os meios antiaéreos, já capazes de detectar alvos furtivos, elimine os aviões furtivos. Assim, utilizando de seus sistemas de mísseis com alcance de até 400 km, o avião raramente necessitaria sair da cobertura do espaço aéreo de seu próprio território para cumprir a sua missão. Mesmo assim, o projeto permite que ele exerça a sua ofensividade quando necessário, com grande capacidade de lidar com alvos assimétricos.

Características:

Comprimento – 19,4 m

Altura – 4,8 m.

Largura entre assas – 14 m.

Área Alar – 82m²

Peso Vazio –  18,5 T.

Peso Máximo de decolagem –  35,5 T.

Aparência

O avião possui um corpo único, formado pela fuselagem e a asa com o influxo dianteiro. Tal solução tem por objetivo aumentar significativamente a manobrabilidade da aeronave; a asa, os ailerons e os flapperons ajudam no conjunto de manobra; a parte frontal da frente SAG é móvel para que se tenha superfície de controle extra (semelhante a canards, porém sem afetar muito o RCS do avião). A máquina da cauda vertical consiste em duas aletas móveis totais, semelhante a vista no YF-23[1].

O layout da fuselagem com uma quase completa falta de ângulos retos e com total revestimento especial de materiais de absorção de radar utilizados, bem como extensivo uso de materiais compósitos, favoreceu uma drástica redução da visibilidade do Su-57 ao radar em comparação a aviões de gerações anteriores. Seu RCS diminuiu em 20 vezes comparando com os aviões de 4.5G. O piloto possui uma excelente visão geral, fornecida por um design sofisticado do vidro do canopy, uma grande bolha de vidro que permite uma ótima visão desobstruída, em um cockpit mais elevado. Também, no lado esquerdo do cockpit, abaixo do piloto, há uma haste retrátil para reabastecimento escondida por portas em formato para reduzir o RCS.

Notáveis diferenças entre os modelos da Fase I e da Fase II

Sensores e Aviônicos:

OEIS – 101KS-V

O sistema eletro-óptico 101KS-V Atoll inclui a torre de busca infravermelho 101KS-V montada no lado estibordo, em frente ao cockpit. Este sensor pode detectar, identificar e rastrear múltiplos alvos aéreos simultaneamente. É especialmente um sistema anti-stealth em estado da arte, que o Sukhoi utilizará para poder ver F-35 e F-22 a uma distância suficiente para poder travar alvo neles sem que o inimigo esteja perigosamente perto (observando, entretanto, as variadas condições de combate).

Ele é projetado para detectar emissões de calor de aeronaves e mísseis passivamente. IRST são essencialmente câmeras térmicas que detectam e rastreiam fontes de calor sem emitir nenhuma radiação no processo (passivo). O 101KS-V também é conhecido como o OLS-50M, e é extremamente avançado, sem análogos no ocidente (por enquanto), utilizando a revolucionária tecnologia Quantum Well Imaging Photodetectors (QWIP). Esses sistemas IRST de nova geração têm o potencial de operar em uma largura de banda espectral muito mais ampla, que inclui a banda de 15 mícrons de ondas longas para detectar alvos com grande mascaramento térmico. Eles também podem ser feitos para operar simultaneamente em várias larguras de banda diferentes, sendo o modelo presente no Su-57 diferente daquele observado no Su-35s, que opera de forma mais simples[2]. O sistema em testes no decorrer de 2019 e 2020 se mostrou o sistema eletroptico mais avançado já produzido, com capacidades de observação passivas superiores a 70km. Apesar de em sua aparência o mesmo parecer muito exposto, ele quando não utilizado possui uma cobertura de compósito extremamente avançada impedindo que o mesmo reflita ondas de radar e aumente o RCS projetado da aeronave.

Projeção de como o 101KS-V deve ficar abrigado na versão final de série. Observamos o vidro facetado simples, com objetivo de não interferir na qualidade do sistema de detecção de aeronaves furtivas

101KS-O – Sistema de defesa antimísseis

É um sistema para proteção contra mísseis com detectores de infravermelho. Funciona de forma semelhante ao sistema 101KS-V, além deste, é capaz de cegar os mísseis ofensivos com um laser diretamente na faixa de guiagem térmica. Os módulos 101KS-O estão localizados atrás do cockpit e na parte inferior da fuselagem[3].

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101KS-U – Módulos de detecção especiais

Detecta emissões em todos os aspectos do ultravioleta, para observar emissões de motores a jato, mísseis, entre outros. Serve também para facilitar e permitir a designação de alvo de defesa para o sistema 101KS-O. Este sistema está localizado em vários lugares do avião e dá visibilidade total, é dotado de um formato furtivo e utilizado tanto para defesa quanto para ataque.

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101KS-N

Câmera térmica multipropósito de alta resolução, especialmente para operações noturnas e missões de reconhecimento[4].

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Outros Sistemas

https://i2.wp.com/i156.photobucket.com/albums/t15/petarvu/051580.jpg~original Aqui podemos ver o sistema Glonass do Su-57, atrás do cockpit, o avião usa um sistema altamente redundante para evitar interferência.

Displays

Todas as informações necessárias dos aviônicos on-board, bem como as informações dos sensores, complementados por uma visão dos símbolos e marcas para o piloto, são exibidos na janela de informações do display. A tela facilita a apresentação de informações em formatos de “imagem” em cores, claras e vívidas, para que uma pessoa possa perceber com rapidez e clareza. O tamanho da tela WAD é grande, de 500 x 200 mm (a do F-35 é de 610 x 230 mm) com três sistemas individuais de tela que podem atuar como uma tela só, como duas telas e como 3 telas individuais. Para o Su-35s e Su-57, com uma distância de visualização padrão de 500-700 mm, é facilmente adequado para a sua proposta de utilização. Este modelo também tem suporte de imagens em dois displays de alta definição com funcionamento independente. Muito semelhante ao adotado na família Su-35, tem este formato preservado para facilitar o intercâmbio entre aeronaves.

Cocpit das versões de Teste
Tela WAD da versão Final do Su-57

HUD – ShkS-5

HUD que será utilizado no Su-57
054 – primeiro protótipo a utilizar o HUD de nova geração

N036-01-1

O radar faz parte do sistema multifuncional integrado Sh121 (MIRES) a bordo do Su-57. O sistema de radar N036 é desenvolvido pelo Instituto Tikhomirov NIIP e consiste de um radar AESA Banda-X, montado no nariz, com 1.552 módulos T / R, designado como o N036 Byelka (N036-1-01), e dois radares AESA. Banda X menor com 358 módulos T / R montados nas laterais da fuselagem dianteira designada N036B (N036B-1-01). A suíte também possui duas matrizes de banda L N036L (N036L-1-01) em slats da asa, que não são usados ​​apenas para identificação de amigos ou inimigos, mas também para fins de guerra eletrônica, busca de aeronaves LO e VLO, localizador de dados IFF, emissões de radar, comunicações, etc[5].

O processamento de computador dos sinais de banda X e L permite que as informações do sistema sejam significativamente melhoradas na detecção de aeronaves furtivas, com a possibilidade de rastrear 62 alvos e atacar 16 simultaneamente, além de poder atacar 4 alvos simultaneamente no solo. O conjunto de contramedidas eletrônicas (ECM) L402 “Himalaia”, fabricado pelo instituto KNIRTI, usa suas próprias matrizes e aquelas do radar N036. O avião usa os processadores russos Elbrus e o Radar pode detectar objetos a 400km para seção transversal de 1m. Pesquisas recentes nos modelos de aceitação fora observado a capacidade de detecção de alvos com RCS inferior a 0.5m a uma distância de 250km.

Computador de Bordo:

Detalhes sobre o computador de bordo do caça não foram ainda divulgados. Sabe-se apenas que o Su-57 tem uma grande automatização dos seus sistemas ativos e passivos. De acordo com as vagas descrições do piloto de testes e desenvolvimento, Sergei Bogdan, isso significa que os sistemas de bordo do caça parecem desempenhar o papel de copiloto, eliminando a necessidade de um segundo piloto[6] e facilitando a pilotagem, especialmente ao manobrar em velocidades supersônicas, suavizando erros críticos, alertando o piloto sobre os perigos e realizando a comunicação ativa entre aviões e sistemas de radares aéreos e no solo[7]. Tal sistema permite a integração com sistemas de outros aviões como o Su-30 e Su-35s, possibilitando o trabalho em conjunto dos sistemas embarcados de várias aeronaves e aumentando exponencialmente o poder de detecção.

O computador de bordo tem um sistema de computador digital central, baseado no sistema de gerenciamento IMA-BK O sistema de computador digital central do Su-57 é ainda mais inteligente do que os presentes no SU-35s. Este novo sistema levou a integração do sensor ao próximo nível e possibilita mostrar os dados coletados por todos os sensores como uma grande imagem coesa na tela lateral direita do console do operador[8]. O volume de software do computador central excede 5 milhões de linhas de código, com vários modos sofisticados de controle de aeronaves e processamento de dados integrados a serem adicionados.

Integração com o Radar Principal – N036-01-1

Os radares de banda L são mais eficazes contra alvos de baixa observação (LO) do que os radares de banda X que normalmente são instalados em caças, incluindo o F-35. No entanto, por causa de seus longos comprimentos de onda, os radares de banda L apresentam resolução de obtenção de alvos reduzida. A combinação da banda-L com a banda-X, em conjunto com avançados algoritmos de fusão de sensores, pode reduzir significativamente a eficácia da modelagem LO. Em outras palavras, o Su-57 poderia possivelmente detectar um F-35 e até mesmo um F-22 tão facilmente quanto um F-35 pode detectar um Su-57, apesar de seus RCS serem diferentes[9].

N036B

Localizado nas laterais do avião, logo abaixo da cabine de pilotagem, bem como no domo traseiro do avião (em uma versão especial para o sistema Himalaia), o sistema N036B com 358 módulos AESA permite aumentar o campo de detecção, assim como permite uma melhor visualização do ambiente de combate, bem como servir de sistema de contramedidas eletrônicas ativo para proteção da aeronave.

N036L e L402 – Himalaia

A suíte de sensores também tem dois transceptores de banda N036L-1-01 L nas extensões de ponta da asa (4 sistemas no total), que não são usadas apenas para lidar com o sistema de identificação de amigo ou inimigo –  N036Sh Pokosnik (Reaper) – mas também para fins de guerra eletrônica. O processamento de computador dos sinais de banda X e L, pelo computador e processador N036UVS, permite que as informações do sistema sejam significativamente melhoradas, possibilitando não apenas a detecção de alvos furtivos como também a obtenção de mira de tiro. O L-402 Himalaia consiste em várias antenas ativas e passivas espalhadas pela estrutura da PAK-FA, oferecendo capacidade de “fuselagem inteligente”. Essas antenas fazem a função tradicional de detectar ondas de rádio inimigas como um RWR, bem como realizar ataques eletrônicos a aviões inimigos. O sistema pode quebrar as transmissões entre um combatente adversário e o míssil disparado por ele, bloqueando assim os mísseis que o atacam ar-ar. Pode executar uma variedade de trabalhos de guerra eletrônica, necessários para a sua sobrevivência nos combates assimétricos.

Construção:

A nova aeronave russa, segundo a sua proposta, recebe duas quilhas inclinadas para os lados do eixo longitudinal da fuselagem. Asa triangular com objetivo de diminuir o RCS e aumentar a sua manobrabilidade, tendo uma grande área alar. É uma aeronave bimotor, com o eixo do motor inclinado para fora, gerando um bom distanciamento central que possibilitou a instalação de dois compartimentos grandes de mísseis internos, com a maior capacidade de carga dos caças 5G[10] até então observados. A colocação interna de armas é um fator determinante na redução da visibilidade da aeronave para o radar.

Quando o Su-57, ainda com o seu nome de protótipo e programa PAK-FA T-50, foi exibido ao público no início de 2010, alguns especialistas o descreveram com uma aparência de “sapo chato” e “oblato Su-27”. De fato, a aparência do nariz é semelhante ao Su-27, embora tenha recebido pequenas bordas laterais para refletir melhor a radiação do radar. A altura da aeronave era menor que a do Su-27, bem como as vigas de estruturação, os reforços estruturais, a inclinação dos motores, possibilitando um perfil visual drasticamente menor. Além disso, houve um aumento na área necessária para a instalação de antenas de radar e parte da sua enorme suíte eletrônica que o diferenciaria dos seus análogos ocidentais[11].

Não podemos negar que o avião segue o desenvolvimento típico da família Sukhoi. Muitos dizem que isto é um grande demérito (sua semelhança com os sistemas Su-27), mas isto na verdade é um requisito de projeto. Como é posto, a Rússia possui a maior extensão territorial do mundo, sendo necessário que esse território seja protegido, não por navios, mas por sistemas aéreos e terrestres, com o objetivo de manter a soberania e impedir as invasões. Por isto, o avião não poderia ter requisitos de manutenção complexos, como vistos nos análogos dos EUA, mas deveria ser prático e capaz de se manter em pleno funcionamento mesmo em bases remotas, com condições extremas.

Quem já teve a oportunidade de estar em uma fábrica da Sukhoi ou visitar equipamentos russos em campo, pode atestar a filosofia totalmente diferente do padrão OTAN — reflexo da política de desenvolvimento soviético rápido, da necessidade de manter uma grande força em prontidão e uma manutenção possível. Em regra, os ferramentais russos são intercambiáveis, sendo necessário poucos equipamentos especiais para as manutenções de rotina. Também pode ser observada uma alta taxa de peças intercambiáveis entre seus aparelhos, tudo com objetivo de conseguir manter sua soberania por meio de equipamentos modernos que possam ser operados em todo o continente[12]. É extremamente contraproducente, na filosofia russa, que seus equipamentos tenham manutenção caras e custosas, visto que o país, mesmo tendo um enorme orçamento de defesa, necessita ser polivalente em várias áreas.

Devemos admitir que, com estes requisitos, os equipamentos russos sofrem com a falta de um certo grau de refinamento visto nos países OTAN, porém, por esta filosofia de grande integração entre os seus meios e grande disponibilidade de sua frota, tal falta de refinamento é compensado em um funcionamento linear e confiável ao logo da vida útil de seus equipamentos. O Su-57 não possui o menor RCS de todos os aviões, mas o RCS necessário para cumprir suas missões de defesa, soberania e ataque aos vetores centrais do inimigo invasor. A Rússia, diferente dos EUA, não é uma potência ofensiva, mas uma potência defensiva, com este fato influenciando em toda a sua política e doutrina de equipamentos (vide o fato de que os aviões russos, em regra, possuem grande capacidade de carga e grande alcance e raio de ação, com objetivo de ter maior independência de sistemas de reabastecimento aéreo e cobrir grande parte do seu enorme território)[13]. A aquisição de equipamentos russos faz sentido apenas para países que enfrentam problemas semelhantes, como grande extensão territorial, e necessidades defensivas e não ofensivas, como a China, Índia e até mesmo o Brasil.

Assento Ejetor K-36D

O Su-57 emprega o assento de ejeção NPP Zvezda K-36D-5, em conjunto com o sistema de suporte de vida KS-50, que compreende o sistema gerador de oxigênio e anti-g. O sistema de geração de oxigênio de 30 kg (66 lb) fornecerá ao piloto uma oferta ilimitada de oxigênio. O sistema de suporte de vida permitirá aos pilotos realizar manobras de 9G por até 30 segundos por vez e o novo traje de pressão parcial VKK-17 permitirá a ejeção segura em altitudes de até 23 km[14].

Assento ejetor K-36D em conjunto com o sistema de suporte de vida KS-50

Sistema OBOG – KS-50

O sistema de oxigênio KS-50 foi projetado para fornecer oxigênio ao piloto do Su-57 em altitudes de até 23,5 km. A fonte de oxigênio é o sistema de geração de oxigênio a bordo do BKDU-50, que produz oxigênio a partir do ar comprimido derivado do compressor da turbina da aeronave, com um subsistema ligado ao APU em caso de emergências[15]. Em comparação com o sistema básico de oxigênio adotado no SU-30, KS-129, o sistema KS-50 é menor e mais confiável devido a um sistema duplicado de análise de gás com filtros biológicos e químicos. O sistema de oxigênio KS-50 é composto da válvula anti-G-featuring D-17 que apresenta o mecanismo de antecipação da insuflação do terno anti-G, que é acionado por um sinal elétrico do sistema de gerenciamento de informações a bordo antes do início da aceleração[16].

NSTsI-V – Visor inteligente montado no capacete

É um capacete para pilotos do Su-57 (Pak-Fa) derivado do sistema desenvolvido para o Mi-28N, ZS-17V com HMD-IN, apenas ligeiramente modificado para atender as necessidades de utilização em aviões, interligado no computador principal, recebendo de forma trabalhada a fusão de todos os sensores. As informações de vôo e navegação mais importantes são colocadas diretamente na visão do piloto, não dissipando a atenção dele no painel WAD[17]. Os dados do HMD são transferidos para o sistema ótico-eletrônico a bordo, para realizar as tarefas de controle de armas, radar e outros equipamentos[18].

Motorização:

Saturn – AL-41F1

Quanto aos motores, por enquanto, o Su-57 de primeira categoria (de produção inicial e de testes) voa com dois AL-41F1 modernizados que ele “herdou” do su-35s. São motores com controle vetorial de empuxo, sem a capacidade de supercruiser necessária para os requisitos finais do modelo de linha de frente. Essa versão modernizada irá ser utilizada no primeiro lote, enquanto o TIPO-30 ainda é desenvolvido e aperfeiçoado.[19]

Saturn Tipo-30

Criado com base nos motores AL-31F, AL-31FP e AL-41F[20]. Apesar de muito parecido com o AL-31F, o motor é 80% diferente, com pás do primeiro e segundo estágio projetadas em cerâmica e com extensivos revestimentos em ferrite e compósitos que diminuem a assinatura térmica drasticamente, bem como absorvem os sinais de radar com extrema eficiência[21]. Distingue-se dos seus antecessores pelo aumento de empuxo de 14.000 kgf, um sistema de controle totalmente digital, um sistema de ignição a plasma que facilita o seu acionamento em poucos minutos, um novo compressor de diâmetro maior, com durabilidade significativamente aumentada de 1.000 para 4.000 horas e menor consumo de combustível, tendo os seus testes com previsão de conclusão em 2020[22]. O novo motor fornecerá a velocidade de 1600 a 1800 km / h sem pós-combustão[23], podendo ser integrado já no segundo lote, bem como em sistemas Su-35s.

GTDE-117-1M APU

Possui um moderno APU com objetivo de evitar a necessidade de maior assistência no solo, capaz de suprir as necessidades energéticas em solo e, quando necessário, em voo, visto que seus sistemas eletrônicos consomem uma enorme quantidade de energia[24].

Armamentos:

É capaz de transportar em suas baias centrais até seis misseis variados ar-ar ou ar-terra, possui uma grande capacidade de transporte de armas, com grande flexibilização de transporte de armas por serem distribuídas em duas baias internas, possibilitando um ajuste mais fino do equilíbrio. Pode transportar uma grande variedade de armas internas, principalmente até 6 Vympel NPO R-77. Também pode levar mísseis como o R-77M-PD, Kh-38M, K-74M2 (izdeliye 760), Kh-38MLE, entre muitos outros sistemas que podem ser colocados internamente ou externamente nos seus 6 pontos externos.

Possuem também duas baias laterais internas para transporte de mísseis ar-ar de curta distância, localizadas sob a asa, mantendo o baixo perfil de detecção.

Sistema de lançamento de mísseis compacto e rápido, possibilitando acomodar ate 3 unidades por baia ventral


Sistema de lançamento de mísseis compacto e rápido, possibilitando acomodar ate 3 unidades por baia ventral
Configuração para ataque com misseis variados

Falar sobre todos os sistemas de mísseis que podem ser utilizados no Su-57 demandaria muito tempo e por isto mereceria um outro artigo apenas para tratar disto.

Canhão – 9A1-4071K

É uma arma é ideal para aeronaves: seu peso é de apenas 50 quilos e é considerado um dos mais confiáveis canhões de 30 milímetros. O esquema de automação exclusivo permitiu que a base do 9A1-4071K para esse tipo de taxa de arma por barril – até 1.800 tiros por minuto. Uma das características da arma também é um barril de refrigeração vodoisparitelnogo, seu princípio de funcionamento é simples: a arma no invólucro com água, que é aquecida no barril de rotação (durante os tiros) e é convertida em vapor gerando um grande poder refrigeração.

Observem o sistema em funcionamento:

150 – Munições internas;

1500 – Tiros por minuto;

Alcance mínimo de 200 metros;

Alcance máximo de 1800 metros;

Peso do projétil – 360 gramas;

Furtividade

Muitos dos analistas que se dedicam apenas a conhecimento militar produzido no extremo-ocidente afirmam que o Su-57 é um caça de 4G e, quando muito, de 4.5G. Estes tipos de observações por defensores ocidentais dos caças stealth são absurdas. O argumento extremo-ocidental prefere que os russos copiem o ocidente (com todos os aspectos sigilosos) para validar o conceito geral do F-22 (sob o argumento falacioso de que os americanos definiram tendência do design para tecnologia militar de alta tecnologia)[25]. Caso contrário, o argumento dos analistas do extremo-ocidental concluirá: “eles não podem porque é muito caro”. Os fatos concretos são de que o F-22A nunca atingirá as expectativas dos defensores devido à física básica (ser invencível e totalmente invisível, um avião inalcançável) – que nada tem a ver com o custo do programa que, por ser americano, possui dinheiro ilimitado[26].

Observando os requisitos estabelecidos pelo Ministério da Defesa russo, podemos deixar claro que o Su-57 não foi projetado para ser absurdamente invisível, mas sim uma máquina contra-furtiva. Embora tenha muitas características furtivas para explorar o desempenho de detecção de pontos fracos dos caças oponentes, equipados apenas com radar e sensores ofensivos como o F-22A, o Su-57 também é equipado com alguns sensores decididamente “não totalmente furtivos”, como o OLS (que mesmo na versão final terá um sistema de bloqueio facetado mais simples do que o observado no F-35 americano), foi feito e projetado, inclusive em sua localização, para detectar e atacar o F-22 fora do espectro de rádio. Esta leitura errada do Su-57 produziu algumas declarações e análises bizarras dos analistas ocidentais sobre o PAK-FA da soberania absoluta dos americanos: “a versão final do OLS será totalmente diferente com soluções iguais aos do F-35 americano”[27].

RCS – A Medida do Desacordo

Sempre é especulado qual o valor do RCS do caça Su-57, porém sempre partimos da veracidade dos valores apresentados pelos EUA para os seus caças de 5G. Não existe maior erro do que isto! Em um mundo onde toda a informação faz parte de uma guerra cultural, até mesmos os valores técnicos divulgados de um avião devem ser vistos com total desconfiança. Temos que ser fieis ao que vemos e não ao que lemos e o RCS é um valor colocado por análises técnicas com base em dados secretos, não pode ser observado e deduzido apenas com a observação. Até mesmo a forma como o avião é pintado faz parte da guerra psicológica para demonstrar uma superioridade aparente ou uma capacidade ilusória, basta observar a escalada armamentista na guerra fria, baseada em informações de capacidades balísticas falsas por parte dos EUA.

Então, antes de nos perguntamos qual o valor do RCS do Su-57, devemos pensar em duas coisas:

  1. Qual o valor do RCS do F-22 e do F-35?
  2. Qual a capacidade mínima para detectar um F-22 e um F-35?

A tecnologia stealth é um dos principais parâmetros necessários para aeronaves de quinta geração, sendo isto um aspecto observado tanto no ocidente quanto no oriente. A tecnologia stealth reduz a detecção de radar e infravermelho por meio de revestimento especial composto, da forma específica do corpo da aeronave e dos materiais de sua estrutura. As ondas de rádio emitidas, por exemplo, pelo transmissor de um sistema de mísseis de defesa aérea, são refletidas da superfície da aeronave e recebidas por um sistema de radar, tornando assim o avião detectável. O RCS de antigos bombardeiros pode ser tão grande quanto 100 metros quadrados, enquanto este parâmetro varia de 3 a 12 metros quadrados para caças modernos e apenas 0,3-0,4 m 2 para aviões stealth. Tal combinação, então, é um conjunto da redução do infravermelho, do reflexo de ondas de radares, da absorção de onda de radares e do casamento de impedância do avião.[28]

Não há dados exatos sobre o RCS do F-22: ele varia de 0,3 a 0,0001 metros quadrados, de acordo com várias fontes. Os dados dos especialistas russos sugerem que o RCS do F-22A varia entre 0,4 e 0,01m² enquanto o radar Irbis, montado no caça Sukhoi Su-35S, pode, supostamente, detectar o Raptor a uma distância de 75 km[29]. Em relação ao F-35, o jato de combate pode ser facilmente detectado por sistemas de radar que operam em frequências super altas (que tem certa dificuldade em obter resolução de tiro), enquanto o seu RCS se mostrou maior do que o indicado em suas características de desempenho. No entanto, de acordo com a tradição existente, as publicações estrangeiras estimam a RCS do F-35 em 0,001 metros quadrados, dependendo do ângulo de observação. Nas estimativas de muitos especialistas, incluindo especialistas ocidentais, o F-35 é consideravelmente inferior ao F-22 pelas suas características RCS[30], com alguns especialistas orientais estimando o RCS em 0,5 m².


Caça Rafale em exercícios simulados detectando um F-22 em configuração furtivas, uma considerável distância (em torno de 30km). O quanto o F-22 é realmente furtivo é um segredo de estado, mas basta lembrar que o Rafale, apesar de possuir um bom radar não é um sistema excepcional contra aeronaves 5G.
Caça F-22 sendo detectado por um sistema OLS de um caça Su-35S, podemos observar que o avião russo conseguiu ótima detecção do avião americano, inclusive com possibilidade de tiro com seus sistemas infravermelhos.

Os dados reais do RCS do PAK FA são classificados. O Su-57 é distinguido por um alto nível de sua capacidade de integração de sensores. O radar da aeronave com um conjunto de antenas ativas em fases, produzido pela Tikhomirov, pode detectar alvos a uma distância de mais de 400 km (248,5 milhas) e simultaneamente rastrear até 60 e atingir 16 alvos. O mínimo de RCS de alvos rastreados é de 0,01 m². Alguns especialistas russos estimam o RCS dos jatos protótipos em 0,3-0,4 m² quando considerado no aspecto frontal. Enquanto isso, alguns analistas ocidentais fazem estimativas mais otimistas sobre a aeronave russa T-50 e consideram seu RCS três vezes menor a cerca de 0,1 m² (onde os mesmos consideram o RCS do F-22 em torno de 0.001)[31]. Entretanto, já na versão de produção há uma expectativa que o RCS frontal do Su-57 seja de 0.05 m².

A primeira Unidade de serie apresentou várias mudanças, incluindo algumas mudanças estruturais com relação ao último protótipo, ouve um refinamento maior no acabamento, com aplicação avançada e de alta qualidade de material absorvente de radar, diminuição dos sensores aero-navegáveis, mudança na junção da asa com a fuselagem. Os primeiros aviões têm apresentado uma grande qualidade de construção, melhorando muito a harmonia da aeronave, o seu acabamento e os elementos que a tornam mais furtivas, mantendo a sua qualidade como aeronave furtiva avançada.

Primeiro modelo de Serie da primeira geração
Ultimo protótipo acima versus o primeiro modelo de serie – grandes avanços e mudanças fundamentais

Medidas antirradar na construção

Não existe dúvida que o Su-57 é uma derivação e evolução dos projetos de 5G apresentados pela União Soviética e pela Rússia em resposta ao F-22, sendo estes os demonstradores SU-47 (s-37) e o MIG-1.44.

Uma das características que os analistas mais amadores tendem a apontar é o fato de alguns ângulos e algumas soluções não serem iguais as apresentadas nos caças ocidentais F-22 e F-35. Entretanto, os mesmos esquecem de observar que nos modelos demonstradores tais soluções foram adotadas, demonstrando pleno conhecimento de tais métodos e engenharias para redução do RCS[32].

Vide os dutos de ar em ângulo para esconder as lâminas dos motores, solução utilizada tanto no SU-47(s-37) quanto no MIG-1.44.
Solução de duto em um leve S, ocultando as laminas do fan, mesmo sendo um protótipo mais simples que o S-47 já tinha soluções igualmente modernas

A pergunta é: Os desenhistas russos ficaram burros e escolheram um sistema de dutos de ar que não escondesse os fans dos motores, desaprendendo o que eles mesmo fizeram nos protótipos dos anos 90? Obviamente que não! Pois, em pesquisas avançadas em radares e simulações, chegou-se à conclusão de que um sistema conjunto seria o suficiente para esconder o RCS frontal, basta lembrar, o sistema furtivo é uma solução mista entre ângulos, materiais e casamento de impedância. Por isso, fez mais sentido, em prol de todo o conjunto da aeronave, que a mesma adotasse uma solução totalmente mista: leve angulação do motor, construção das pás do motor em material altamente avançado para absorver as ondas de radares, e a principal chave – duto feito de material especial que absorve totalmente as ondas de radar e as dispersa em sentido negativo, em um grau de eficiência igual aos observados nos sistemas do extremo-ocidente.

Observamos a angulação da entrada de ar, e a construção em materiais especiais. Devemos, entretanto, admitir que tal solução apenas encontrará sua eficiência máxima com o motor Izdeliye 30, com seu fan frontal especialmente construído em compósitos cerâmicos e de carbono que diminuem a reflexão da fan em números significativos.
Aqui devemos observar que a solução encontrada pelo Su-57 é muito próxima daquela encontrada no YF-23, que para muitos especialistas era considerado um caça mais furtivo que o YF-22;
Podemos concluir que existe um avançado sistema para evitar a reflexão de radar por parte desta área sensível, sem a perda da eficiência comum nos dutos em S.
Mudanças na entrada de ar no modelo da fase II, onde falhas foram superadas e tivemos uma nova mundaça dos angulos para favorecer a redução do RCS.

 Devemos levar em consideração que os sistemas de desenvolvimento russo diferem totalmente dos sistemas ocidentais. Como pode ser observado no caso do T-50, são construídos protótipos que vão incorporando tecnologias à medida que estas vão assumindo maior grau de amadurecimento. De forma que a cada novo protótipo muitas mudanças são feitas com base nas pesquisas e testes, até chegar a proximidade do modelo que atenda aos requisitos encomendados pelo Ministério da Defesa[33]. Muitos analistas, porém, atribuem esta demora a falta de dinheiro para projetos, mas os mesmos não observam que o desenvolvimento 5G não é acelerado apenas pela quantidade de dinheiro que está disponível: após passar um determinado grau de investimento, todos os valores a mais não terão maior grau de importância na aceleração do projeto. Tal complexidade demanda tempo para testes e aperfeiçoamento[34].

Outro ponto que recebeu recente avanço foi na construção do canopy, que tem sofrido grandes evoluções para que seja possível manter o baixo nível de RCS com grande eficiência dos sensores. Os primeiros modelos receberam o canopy apenas necessário para a operação de testes de estrutura e capacidade do avião, porém em 2019 o primeiro modelo com o novo Glass tomou os ares para teste de RCS e de qualidade[35]. Tal canopy é tratado com Óxido de Índio, capaz de absorver e refletir ondas de radares com alta eficiência[36].

Observe os ângulos do canopy e o sistema ativo de absorção de ondas de radar colocados sob o glass, sistema que será integrado na versão final do canopy.

Primeira Série de linha e a Segunda Serie

Após o acidente com o primeiro modelo de linha, o programa sofreu um atraso, causado pela apuração do acidente a segunda unidade assumiu o papel de ser a lançadora do projeto. Em uma análise preliminar foi observado que o problema que causou tal acidente fora o sistema de controle que recebera dados incorretos decorrente da unidade limitadora de manobra, causando uma situação de controle impossível. Tal sistema teve que ser novamente analisado e corrigido para evitar que em situações extremas o jato corresse este risco futuro.

A primeira serie

Os primeiros aviões de serie estão sendo produzidos com componentes limitados e não com todas as tecnologias do projeto inicial, sendo elas:

  • Parte dos sistemas de detecção de aeronaves, que ainda enfrenta limitações por decorrência do desenvolvimento tecnológico;
  • Utilizarão o motor AL-41F1 em vez do sistema TIPO-30, que por atrasos comuns a projetos de alto nível tecnológico;
  • Não contara com o sistema de integração de dados dos sistemas S-400, S-500, bem como dos radares em terra, sistemas de satélite, contanto apenas com data Link e sistema GLONAS de primeira geração e capacidade simples de integração de sensores, em um sistema semelhante ao encontrado no F-35, porem com várias limitações decorrente de projetos em fase de testes que só estão disponíveis por volta de 2023;

A Segunda Serie

A segunda série, que vira em conjunto com os novos motores irão trazer novas tecnologias ainda presentes em nenhum outro projeto de caça 5G do mundo; tal mudança é possível pois os novos motores TIPO-30 tem capacidade de geração elétrica com o praticamente o dobro da capacidade do motor AL-41F1. Observamos que o motor original já possui grande capacidade energética, e com a nova motorização o caça terá uma grande sobra energética. Tal capacidade tem um objetivo: a substituição dos sistemas hidráulicos por servo-motores elétricos, principalmente nos controles de voo. Tal projeto já se iniciou no ano de 2019 e tem previsão de ser finalizado em 2025, em 2023 deve voar a primeira unidade com tais modificações. A vantagens são muitos, o peso da aeronave deve ser reduzido em quase 2 toneladas, observando que passará a adotar apenas com um sistema hidráulico de menor porte que vai atuar como unidade sobressalente. Também vai diminuir a complexidade da manutenção, com os custos operacionais menores e uma maior confiabilidade e prontidão operacional.

Outro projeto que já está em execução é a integração de armas de energia dirigida nos modelos da segunda série, tais coisas possibilitada também pela grande capacidade de produção elétrica. Também podemos observar que tal capacidade possibilita a que os sensores de banda L possam opera de forma plena, gerando grandes sinais de interferência em Data-links padrão OTAN bem com na comunicação de caças rivais com satélites, desta forma, um conjunto de 4 a 5 Su-57 terá capacidade de gerar uma grande interferência na comunicação inimiga.

Por final, na segunda série é esperado a maior inovação do caça, de complexidade inimaginável. O grande trunfo seria a capacidade de integração de sensores, não apenas aos das aeronaves, mas também aos de aeronaves companheiras, radares de terra, sistemas de satélite e sistemas antiaéreos. Tal super-integração possibilitaria detecção de aeronaves furtivas a centenas de quilômetros, bem como a capacidade de efetuar um ataque defensivo muito antes de ser detectado, aeronaves com RCS inferior a 0.1 poderiam ser percebidas e atacadas a distancias superiores a 250km. Entretanto, tal integração demanda uma complexidade sem igual em projeto militar, onde todo o sistema de defesa seria integrado em uma única grade de defesa. Inicialmente o projeto previa a sua conclusão em 2019, entretanto a infinita complexidade tem atrasado tal sistema em vários anos, atualmente tal projeto tem previsão de conclusão em 2025, porem alguns especialistas ocidentais tem afirmado que tal integração só seria concluída no início da década de 30. Esta integração é extremamente efetiva como sistema de defesa de um território nacional, e tem pouca efetividade como sistema ofensivo.

Produção e vendas ao exterior

No início do projeto, foi anunciada uma parceira extensiva com a Índia para que o modelo T-50 fosse adaptado para as necessidades indianas. Tal modelo deveria ser biplane, com alto grau de desenvolvimento interno e pronto para as condições de fabricação na Índia. Entretanto, conforme documentos internos da Índia, foi observado que o requisito de um operador de sistemas não era mais necessário, visto o elevado grau de automação do caça, tornando assim o sistema biplane não necessário para os planos indianos. Com tal mudança, o custo de desenvolvimento do caça diferente para a índia se tornou desnecessário, restando apenas o requisito de produção local com partes e peças feitas pela indústria indiana.

Em 2018, o acordo para a produção de uma nova unidade foi suspenso, visto que a Índia, que tem acompanhado o desenvolvimento do Su-57, requisitou certo grau de transferência de tecnologia (prontamente atendido pela Rússia). Entretanto, o prazo inicial do estabelecimento da linha de produção indiana para 2019 foi postergado para o ano de 2023, visto que o desenvolvimento do Su-57 sofreu com alguns atrasos causados pela necessidade de amadurecimento de certas tecnologias (vale a pena aqui destacar a expectativa de que o programa do Su-57 gaste o mesmo tempo que foi necessário para o desenvolvimento do F-22 e um tempo bem menor do que está sendo gasto no desenvolvimento do F-35). Em 2019 foi reafirmando o interesse indiano pelo caça de 5G, que deverá ser produzido na Índia com um grau ainda não revelado de nacionalização. Espera-se que a Índia compre em torno de 125 aeronaves.

Outro país que tem demonstrado interesse no Su-57 é a Turquia, que em meio as tensões com os EUA têm demonstrado interesse em substituir a sua compra de F-35 pelo caça russo, o qual já foi dito ser igualmente capaz pelas autoridades de defesa turcas. Tal aquisição seria uma forma de manter a sua capacidade e possibilitar o desenvolvimento do seu caça local de 5G.

O Ministério da Defesa russo assinou em 2019 a aquisição inicial de 76 caças Su-57 para o período de 2020 a 2028, tal lote seria dividido em 2 lotes secundários, em que o primeiro seria equipado com o motor AL-41F1, e o segundo lote com o TIPO-30. Tal quantidade de caças deve ser encarada como um pedido inicial frente as necessidades russas. O objetivo aqui é evitar que se tenha caças Su-57 muito diferentes entre si, por isto os pedidos posteriores serão balizados pela taxa de produção de modelos equipados com o TIPO-30. Tal produção não deve ser vista como competidora do caça 4.5G Su-35s, que tem objetivo de complementar a defesa aérea russa, enquanto o Su-57 seria um caça contra furtivo. A expectativa é que os Russos venham a adquirir em torno de 350 caças Su-57 ao longo de sua vida, que atuarão com os atuais modelos em produção e com os futuros caças 5G que a Rússia vem desenvolvendo.

China: O gigante asiático tem se mostrado favorável a aquisição de um lote de caças Su-57, principalmente por eles considerarem o caça um sistema Antifurto sem igual, que completariam os seus sistemas de defesa, junto com o J-20, que atua como aeronave interceptadora furtiva avançada, porém não possuindo os sistemas digitais avançados e a capacidade de detecção contra aeronaves furtivas iguais ao Su-57.

Índia: Apesar de ter abandonado a construção de uma aeronave conjunta derivada da aeronave PAK-FA, os indianos continuam com conversas avançadas com a Rússia, principalmente na produção de uma variante biplace que se adequaria as políticas e projetos de defesa da Índia. Porem cabe observar que a índia está aguardando os resultados dos testes das aeronaves de segunda geração do SU-57, em conjunto com alguns sistemas eletrônicos e os novos motores TIPO-30.

Argélia: A Argélia confirmou a compra de um lote de aeronaves do primeiro tipo, tais aeronaves devem ser utilizadas como sistemas de interceptação e defesa aérea em substituição a antiga frota de MIG-25 que o país ainda possui. Em conjunto com tais aeronaves também foi adquirida um sistema de radares e logísticas suficiente para integração de sensores de forma primaria, possibilitando uma avançada capacidade de monitoria e dominância sobre o mediterrâneo, que só poderá ser igualada quando o F-35 estiver em condições operacionais mínimas.

Outros países que demonstraram interesse foram: A Turquia e Egito.

Outros detalhes

O Su-57 também tem sido utilizado em testes, em conjunto com o drone furtivo de ataque S-70. Tal sistema é testado atualmente em apenas um modelo, que recebeu antenas especiais e um outro computador de bordo para que fosse possível a comunicação com o drone ala. O conjunto drone-caça visa não aumentar as capacidades de ataque, mas sim possibilitar o cumprimento da missão de rompimento das linhas de ataque inimiga, aumentando assim o poder de fogo ofensivo. Seguindo assim as premissas da filosofia russa de defesa, o drone deve ter peças e motores intercambiáveis com os outros sistemas, possibilitando uma facilidade maior de manutenção e uso. Entretanto, devemos ressaltar que tal drone ainda se encontra em fase inicial de desenvolvimento e os modelos de série do Su-57, com capacidade integrada com o S-70, só devem ser produzidos a partir do segundo lote de fabricação.

Protótipo 053 com antenas e computador especial, feito para testar a integração com o S-70 como drone ala

FOTES E BIBLIOGRAFIA       


[1] https://warbook.club/voennaya-tehnika/samolety/su-57-2/

[2] https://zen.yandex.ru/media/android800/istrebitel-su57-t50-pokazali-v-polete-s-podvesnym-konteinerom-101ksn-5b7a6a41798ddc00a807aba7

[3] https://zen.yandex.ru/media/android800/istrebitel-su57-t50-pokazali-v-polete-s-podvesnym-konteinerom-101ksn-5b7a6a41798ddc00a807aba7

[4] https://zen.yandex.ru/media/android800/istrebitel-su57-t50-pokazali-v-polete-s-podvesnym-konteinerom-101ksn-5b7a6a41798ddc00a807aba7

[5] https://fighterjetsworld.com/weekly-article/an-apg-77-vs-n036-byelka-article-in-english/1155/

[6] https://nplus1.ru/material/2017/02/22/fighters

[7] https://www.defenceiq.com/air-forces-military-aircraft/news/is-there-a-future-for-the-su-57-1

[8] http://fullafterburner.weebly.com/aerospace/sukhoi-pak-fa-the-anti-stealth-gamechanger

[9] http://thumkar.blogspot.com/2017/10/building-case-for-f-35-by-trashing-su-57.html

[10] https://nplus1.ru/material/2017/02/22/fighters

[11] https://nplus1.ru/material/2017/02/22/fighters

[12] http://fullafterburner.weebly.com/uploads/8/4/8/6/84869598/document.pdf

[13] https://tvzvezda.ru/news/opk/content/201811131419-5mml.htm

[14] http://www.npp-zvezda.ru/en/node/696

[15] https://thaimilitaryandasianregion.wordpress.com/2016/04/27/sukhoi-t-50-pak-fa-russia/

[16] zvezda-npp.ru

[17] http://magspace.ru/blog/defence_safety/284990.html

[18] https://www.vitalykuzmin.net/Military/HeliRussia-2014/i-zK8SbQr

[19] https://www.techcult.ru/weapon/4350-istrebitel-t50

[20] http://fullafterburner.weebly.com/uploads/8/4/8/6/84869598/document.pdf

[21] https://www.globalsecurity.org/military/world/russia/izdeliye-30.htm

[22] https://aviation21.ru/lyotnye-ispytaniya-izdeliya-30-nachnutsya-v-etom-godu/?highlight=Izdeliye%2030

[23] https://www.techcult.ru/weapon/4350-istrebitel-t50

[24] https://thaimilitaryandasianregion.wordpress.com/2016/04/27/sukhoi-t-50-pak-fa-russia/

[25] http://theboresight.blogspot.com/2010/01/sukhoi-makes-her-move.html

[26] https://thaimilitaryandasianregion.wordpress.com/2016/04/27/sukhoi-t-50-pak-fa-russia/

[27] https://thaimilitaryandasianregion.wordpress.com/2016/04/27/sukhoi-t-50-pak-fa-russia/

[28] https://www.youtube.com/watch?v=OtjvhtDTiik

[29] https://tass.com/defense/866381

[30] http://fullafterburner.weebly.com/next-gen-weapons/secrets-of-stealth

[31] https://tass.com/defense/866381

[32] http://fullafterburner.weebly.com/next-gen-weapons/secrets-of-stealth

[33] http://fullafterburner.weebly.com/next-gen-weapons/secrets-of-stealth

[34] http://fullafterburner.weebly.com/uploads/8/4/8/6/84869598/document.pdf

[35] https://www.aereo.jor.br/2019/01/14/caca-sukhoi-su-57-da-russia-recebe-revestimento-stealth-no-canopy/

[36] http://fullafterburner.weebly.com/aerospace/sukhoi-pak-fa-the-anti-stealth-gamechanger

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