As razões argentinas

A disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Falklands/Malvinas perdura há dois séculos. A descoberta comprovada do arquipélago deve ser atribuída ao holandês Sebald de Wert em 24 de janeiro de 1600. Ele deixou um registro preciso do litoral das ilhas, o que torna sua reivindicação indiscutível. Vários outros navegadores — a maioria espanhóis, entre eles Américo Vespúcio e Fernão de Magalhães, e um inglês, Richard Hawkins — afirmam que avistaram, à distância, terras em uma posição aproximada à localização das Falklands/Malvinas, mas não deixaram marcos nem reconheceram a costa.
Os primeiros a povoarem o arquipélago foram os franceses de Saint Malô que começam a explorar as ilhas em 1698. Em 1763, o navegador e diplomata Louis Antoine de Bougainville parte com uma esquadra rumo ao território e funda, em 1764, o primeiro povoado: Port Saint Louis. Dois anos depois, os britânicos instalam um forte onde hoje é Port Egmont. Há relatos de que as duas colônias chegaram a tomar conhecimento uma da outra, mas resolveram conviver pacificamente. Ao descobrir o esforço de colonização, a Espanha reclamou a posse do território junto à corte francesa. O rei Luís XV, depois de analisar o caso, aceitou as razões de Madri em troca de uma indenização de 616 mil libras em 1766. Rebatizado de Puerto Soledad, o assentamento seguiu sob gestão de Buenos Aires.
Em 1770, os espanhóis descobrem a existência de Port Egmont e enviam uma frota. As forças do Reino Unido se rendem sem disparar um tiro. Os termos de um acordo secreto, firmado sob influência do rei da França, estabelecem a devolução da fortificação em 1771 desde que os britânicos deixem a região voluntariamente. Segundo o Sunday Times, a única cópia do documento, firmado para preservar a honra da guarnição, foi depositada em Londres. Depois de sucessivos protestos, a guarnição deixa o arquipélago em 1774, deixando apenas uma placa onde reivindicava o arquipélago para o rei Jorge III.
A partir daí, a presença espanhola e argentina é permanente até 1833, apesar do caos criado pela guerra de independência. Puerto Soledad entra em decadência, mas havia moradores e as ilhas eram visitadas regularmente por navios de pesca. Em 1823, Buenos Aires concedeu ao comerciante Luis Vernet, nascido na Alemanha, a permissão para realizar atividades de pesca e exploração de gado selvagem no arquipélago. Ele reconstruiu as ruínas do povoado em 1826 e trouxe colonos para explorar os recursos pesqueiros e pecuários, era grande o número de cabeças de gado selvagens.
Nomeado comandante militar e civil das ilhas em 1829, Vernet tentou regulamentar a pesca para parar as atividades de baleeiros e caçadores de focas estrangeiros. Sua atividade chamou a atenção do navio de guerra estadunidense USS Lexington que, em 1831, tomou o assentamento. Buenos Aires tenta manter influência sobre o assentamento através da instalação de uma guarnição e de um presídio, mas uma força tarefa britânica invade o arquipélago em 1833. Desde então, a Argentina protesta contra as ações britânicas e reivindica o retorno do território. (PPR)

Bibliografia

BARTHELMESS, E. As relações Brasil-Argentina no aniversário da Declaração do Iguaçu. Cadernos de Política Exterior, v. 3, p. 27–43, 2016.

DESTEFANI, L. Malvinas, Georgias y Sandwich del Sur ante el conflicto con Gran Bretaña. Buenos Aires, 1982

FAJARDO, JMC. Acordo Tripartite Itaipu-Corpus: ponto de inflexão entre a disputa geopolítica e a política de cooperação. Porto Alegre, ‎2004;

SUNDAY TIMES INSIGHT TEAM, The Falklands War, Londres, 1982;