Por Pedro Paulo Rezende
O que poderia reunir fornecimento de armas para grupos terroristas, pedofilia, tráfico de mulheres, contrabando de cigarros, drogas, invasão de computadores e imigração ilegal? A resposta é simples: a Máfia Ucraniana. O crime organizado explodiu no país e ganhou força na Europa depois do começo da operação militar russa em Donbass. Segundo o relatório The Conflict in Ukraine and its Impact on Organized Crime and Security (O conflito na Ucrânia e seu impacto no crime organizado e na segurança), preparado pelo Instituto de Pesquisa Interregional sobre Crime e Justiça das Nações Unidas, as quadrilhas aproveitaram o êxodo de 8 milhões de cidadãos para se infiltrarem nos países do velho continente e no Levante.
Ao começarem a operação terrestre em Gaza, os militares da Força de Defesa de Israel ficaram surpresos com o uso pelo Hamas de armamento leve ocidental moderno, como carabinas M4 americanos e fuzis HK416 alemães. O registro das armas foi enviado para o quartel general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Bruxelas e se constatou que as armas apreendidas integravam lotes fornecidos para o Exército Ucraniano pelas sócios da Aliança Atlântica. A resposta para o problema é simples: militantes de batalhões neonazistas, como o Aidar e o Azov, estão envolvidos com as quadrilhas de Odessa, Kyiv e Lviv.
Tráfico humano
O problema não se limita às armas. Ucranianas viram mercadoria e abastecem o mercado pornográfico europeu. Este quadro é antigo. O maior produtor da indústria do sexo da Espanha, Ignacio Allende Fernández, conhecido como Torbe, foi preso em 2016 acusado de abusar de meninas menores, vender pornografia infantil e se envolver em tráfico sexual.
A investigação se expandiu para denúncias de sonegação de impostos e de forçar mulheres à prostituição. Ele foi preso e depois solto sob liberdade condicional. No processo, dezenas de ucranianas, atraídas por falsas promessas de emprego, testemunharam contra o empresário, mas a Península Ibérica não é o principal destino do tráfico humano. Este posto cabe à Alemanha onde as vítimas são submetidas a cárcere privado e obrigadas a se prostituírem.
É preciso lembrar que em 2022, quando os voluntários chechenos invadiram o quartel general do Azov em Mariupol, encontraram cerca de 40 corpos de escravos sexuais de ambos os sexos, a maioria adolescentes. As imagens, registradas em vídeo pelo fotógrafo americano Patrick Lancaster, estão sob censura do Google e não podem mais ser consultadas.
Outro mercado explorado pelas organizações criminosas ucranianas é o fornecimento de mão-de-obra para empresários rurais que se utilizam de trabalho análogo à escravidão. As vítimas normalmente são encaminhadas a países da Europa do Leste, como Bulgária, Hungria, Romênia e Polônia. Outro destino comum é a Turquia.
Drogas
Na Itália, a Guardia de Finanza enfrenta outro problema: o tráfico de drogas e o contrabando de cigarros falsificados. A maioria das apreensões envolve drogas sintéticas, como opiáceos e ecstasy. Nestas atividades, os ucranianos trabalham em conjunto com albaneses. Eles tentam usar o país como ponte para enviar entorpecentes para balneários, como Ibiza e cidades da Côte d’Azur, e pontos turísticos da Península Ibérica, para a França, Bélgica, Holanda e países nórdicos.
Para conter a ameaça a Guardia de Finanza emprega uma pequena força aérea com quatro aviões ATR 42 e ATR 72 e mais de 24 helicópteros de modelos variados. A força também utiliza lanchas rápidas que chegam a superar 50 nós de velocidade.
Por último, as quadrilhas ucranianas também se especializaram em ataques cibernéticos de grande porte, como ramsonwares, e pequenos golpes como roubo de senhas de cartão de crédito e invasão de computadores domésticos. Em suma: a partir de Kyiv, Lviv e Odessa, organiações criminosas operam de maneira diversificada e organizada dentro da Europa.

